Esta já é a quarta versão para o cinema desse clássico da literatura norte americana. E eu vi todas as anteriores (a primeira é de 1933, a segunda de 1949, depois 1994). Também li o livro mais de 50 vezes, juro, foram mais de 50 vezes. Posso arriscar e dizer que foi o primeiro livro que eu devorei em diferentes períodos da minha vida. Li e reli e reli. Sei as falas e as cenas na ponta da língua.

É claro que comparar o livro com o filme é uma grande bobagem. São mídias e manifestações artísticas completamente diferentes. Então se você é fiel a algum livro que virou filme, desapegue e abra seu coração para o novo formato da sua obra predileta.

A nova versão de “Adoráveis Mulheres” é sensacional sob vários pontos de vista. Levando em conta que eu tenho grande familiaridade com a história e seus personagens, me surpreendi com a versatilidade na linguagem que a diretora, Greta Gerwig apresentou. Ela não fez um filme linear, como no livro, onde os acontecimentos seguem em ordem cronológica. Greta começa o filme já no fim da história e vai misturando passado e presente com várias rimas narrativas bastante criativas que me surpreenderam a medida que foram se revelando. Claro que eu já sabia tudo que ia acontecer. E talvez esse tenha sido o principal desafio da diretora: recontar uma história que todo mundo já conhece sem ser requentada.

Tenho minhas ressalvas : não gostei das interpretações das atrizes que deram vida às personagens Beth (Eliza Scanlen) e Amy (Florence Pugh). As duas não me convenceram e banalizaram personagens complexas e interessantes. Mas amei Jo March (Saoirse Ronan), Meg (Emma Watson), Laurie (Timothée Chalamet) e ainda fiquei feliz em ver Louis Garrel como Friedrich. Tudo isso e ainda Meryl Streep, como a rabugenta e perspicaz Tia March.

O filme de Greta é mais real, mais ágil, menos engessado que as versões anteriores e principalmente aborda questões femininas e feministas como casamento, carreira e felicidade (é preciso mesmo um marido para ser feliz? ) com mais relevância. O filme aparece num momento onde o universo cinematográfico masculino e machista está muito em evidência. Uma história escrita por uma mulher (Louse May Alcott é a autora do romance) sobre mulheres, dirigido e roteirizado por uma artista (Greta) cuja carreira sempre trouxe retratos de mulheres diversas e importantes em seus universos distintos.

“Adoráveis Mulheres”, recomendo muito.

A estréia está prevista para o dia 9 de janeiro.

(stella.domenico@hotmail.com)

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