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Falta de animais doadores preocupa bancos de sangue veterinários

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Com apenas três bancos de sangue veterinários, Distrito Federal enfrenta baixa adesão de pets doadores, dificultando transfusões em casos de emergência e cirurgias.

A escassez de cães e gatos doadores de sangue tem preocupado profissionais da medicina veterinária no Distrito Federal e pode comprometer o atendimento de animais que dependem de transfusões para sobreviver. Apesar de contar com três bancos de sangue veterinários, a baixa adesão de tutores ao programa de doação dificulta a manutenção dos estoques e aumenta o risco de desabastecimento, principalmente em períodos de maior demanda.

A transfusão sanguínea é um procedimento essencial no tratamento de animais vítimas de acidentes, cirurgias complexas, anemias graves, doenças infecciosas e outras condições que comprometem a circulação sanguínea. No entanto, especialistas alertam que a disponibilidade de bolsas de sangue ainda está abaixo da necessidade da rede veterinária do DF.

Estoques insuficientes

Atualmente, o Distrito Federal possui três bancos de sangue veterinários: o Centro de Hemoterapia Pet do Distrito Federal (OHV Pet), no Núcleo Bandeirante; o Banco de Sangue do Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (HVet-UnB), na L4 Norte; e o banco de sangue do Hospital Veterinário Brasília (HVB), na Asa Sul.

Segundo o médico-veterinário Francisco Anilton Alves Araújo, diretor do OHV Pet, o principal desafio não é a quantidade de unidades disponíveis, mas a dificuldade em manter um número suficiente de animais aptos para doação.

De acordo com ele, a situação é semelhante à enfrentada pelos hemocentros humanos, especialmente durante feriados, férias escolares e fins de semana, quando o número de doadores costuma diminuir e os estoques caem significativamente.

Embora a unidade tenha capacidade para armazenar até 200 bolsas e produza, em média, 320 bolsas por mês, a quantidade varia conforme a disponibilidade de animais cadastrados. Segundo o veterinário, há momentos em que nenhum dos bancos consegue atender imediatamente a demanda por transfusões.

Doação pode salvar vidas

A realidade ficou evidente na história do vira-lata Chorão, resgatado em situação de extrema vulnerabilidade por duas protetoras independentes no Paranoá.

Após apresentar um quadro grave de saúde, o cão precisou de uma transfusão urgente. Sem condições financeiras para custear o procedimento em clínicas particulares, as protetoras conseguiram atendimento no Hospital Veterinário da Universidade de Brasília (HVet-UnB), por meio do projeto de extensão “Uma Pata Salva a Outra”, criado justamente para ampliar a disponibilidade de sangue para cães e gatos atendidos pela instituição.

O projeto, implantado em 2012, mantém um programa permanente de captação de doadores e fornece hemocomponentes utilizados em atendimentos clínicos, cirurgias e procedimentos de emergência.

Segundo o coordenador da iniciativa, professor Jair Costa, há períodos em que os estoques permanecem estáveis, mas a situação pode mudar rapidamente caso o número de doadores diminua.

Animais morrem à espera de transfusão

Nem todos os pacientes conseguem receber sangue a tempo.

Em fevereiro deste ano, o pit-bull Beethoven morreu enquanto aguardava uma bolsa de sangue. O animal apresentava um quadro grave de anemia e precisava de uma transfusão com urgência.

A tutora chegou a procurar bancos de sangue particulares, mas o custo do procedimento inviabilizou o tratamento. Casos semelhantes, segundo profissionais da área, ainda são frequentes e evidenciam a necessidade de ampliar o número de doadores.

Além da disponibilidade limitada de bolsas, o valor do procedimento também representa um obstáculo para muitos tutores, já que a coleta exige exames laboratoriais, tipagem sanguínea e rigorosos protocolos de segurança.

Doação é segura para os animais

Especialistas ressaltam que a doação de sangue é um procedimento seguro e não oferece prejuízos à saúde dos animais quando realizada dentro dos critérios estabelecidos.

Antes da coleta, cães e gatos passam por avaliação clínica completa, exames laboratoriais e testes para doenças transmissíveis. Apenas animais considerados saudáveis podem doar.

Após o procedimento, o sangue é processado para separação de hemácias, plasma e plaquetas, permitindo que uma única doação beneficie diferentes pacientes.

Os cães podem doar, em média, a cada três meses. Segundo os bancos de sangue, os animais cadastrados costumam receber benefícios como exames periódicos, vacinação, vermifugação e acompanhamento veterinário, sem custos para os tutores.

Quem pode ser doador?

Para participar dos programas de doação, os animais precisam atender a alguns critérios básicos:

  • Cães: peso mínimo de 25 kg, idade entre 1 e 8 anos, vacinação e vermifugação em dia, boa condição de saúde e nunca ter recebido transfusão de sangue.
  • Gatos: peso superior a 4 kg, idade entre 1 e 8 anos, saúde adequada, vacinação em dia e ausência de pulgas e carrapatos.

Fêmeas gestantes, em período de amamentação ou no cio não podem realizar a doação.

Como participar

Tutores interessados em cadastrar seus animais como doadores podem procurar os bancos de sangue veterinários do Distrito Federal.

O Banco de Sangue Veterinário da Universidade de Brasília recebe inscrições por meio do e-mail [email protected] ou pelo formulário disponível no perfil oficial do projeto nas redes sociais.

Já o Centro de Hemoterapia Pet do Distrito Federal (OHV Pet) realiza o cadastro de doadores pelo telefone (61) 99847-4402.

Profissionais reforçam que ampliar o número de animais doadores é fundamental para garantir atendimento rápido em situações de emergência e aumentar as chances de sobrevivência de cães e gatos que dependem de transfusões para continuar vivendo.

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