Por Natalia Ribeiro
“A vida sem a música é simplesmente um erro, uma tarefa cansativa, um exílio.”
Friedrich Nietzsche
Há momentos em que o que escutamos ultrapassa os ouvidos e se torna vibração.Há sons que tocam o invisível.
Depois de tanto tempo tendo a música como melhor amiga, hoje percebo que ela ajuda a curar muita coisa. Desde pequena, sempre tive facilidade em me conectar com ritmos e letras, chegava até mesmo a chorar com canções que sequer tinham a ver com meu momento de vida. Mas hoje enxergo a música como uma espécie de expurgo, de terapia.
Ela não pode faltar no meu dia. Pode despertar o que está hibernando ou simplesmente mostrar aquilo que nem sabíamos como expressar.
Mas há uma harmonia silenciosa escondida por trás dos ruídos do mundo. Mesmo entre buzinas, vozes e pressa, há sempre uma nota sustentando tudo: o som da Vida que continua vibrando. Quando conseguimos nos libertar, ainda que por um instante, da rotina apressada, é possível ouvir o que o universo canta: o compasso perfeito com que os ciclos se repetem, o ritmo sagrado com que tudo se transforma e renasce. Isso também é música.
Os antigos chamavam de “harmonia das esferas”, a crença de que os astros produzem sons em seus movimentos, compondo uma melodia eterna. Talvez seja isso que sentimos, mesmo sem compreender: que por trás do caos existe ordem, e que por trás do som há cura.
A música cura porque organiza o que dentro de nós está desalinhado. Ela nos lembra que pertencemos a algo maior.
Os grandes compositores talvez sejam aqueles que, por um instante de graça, conseguiram escutar esse som primordial e traduzi-lo em notas humanas. Mas cada um de nós, ao fechar os olhos e permitir que uma canção nos atravesse, também toca essa dimensão.
A música é oração.
Ela não pertence ao tempo, nem ao espaço.
Está em tudo o que vibra: no coração, no vento, na respiração, no instante em que o silêncio quase canta.







