Laudo complementar aponta fratura e hematoma no crânio de Rodrigo Castanheira e descarta queda ou impacto contra carro como causa do trauma fatal; Justiça agora deve decidir sobre eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.
O Instituto Médico-Legal (IML) concluiu que o golpe desferido pelo ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso foi a causa da morte de Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos. A conclusão consta da última perícia complementar do laudo cadavérico, determinada pela Justiça do Distrito Federal antes da análise sobre a possível submissão do caso ao Tribunal do Júri.
Segundo o documento, a ação contundente na região temporal esquerda do crânio foi considerada a causa “única, eficiente e imediata” do óbito. O impacto provocou uma fratura temporal e um hematoma epidural, que passou a comprimir o cérebro. Com a evolução do quadro, houve aumento progressivo da pressão intracraniana e lesões neurológicas que culminaram na morte encefálica do adolescente.
A perícia também afastou a hipótese de que o trauma fatal tenha sido provocado por uma queda ou pelo impacto da cabeça de Rodrigo contra um carro durante a briga. De acordo com o laudo, essa possibilidade é considerada incompatível com os achados dos exames realizados no caso.
Perícia descarta intercorrência hospitalar
O novo documento também analisou a possibilidade de que algum fator ocorrido durante a internação tivesse contribuído de maneira independente para a morte. A conclusão não identificou intercorrência hospitalar autônoma, erro médico ou complicação superveniente capaz de interromper a relação entre o trauma craniano e o óbito.
Rodrigo permaneceu internado por 16 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Águas Claras. A morte encefálica foi confirmada em 7 de fevereiro, após o adolescente ter sido socorrido em decorrência da agressão ocorrida em Vicente Pires.
Justiça deve decidir sobre Tribunal do Júri
Com a conclusão da perícia complementar, a análise do processo entra em uma nova etapa. Caberá ao juiz responsável avaliar o conjunto das provas produzidas durante a instrução e decidir se Pedro Arthur Turra Basso será submetido ao Tribunal do Júri. A conclusão do IML é um elemento pericial do processo e será considerada junto às demais provas e manifestações das partes.
Pedro Turra responde ao processo pela morte do adolescente. A decisão sobre eventual julgamento pelo júri ainda depende da análise judicial.
Relembre o caso
Rodrigo Castanheira e Pedro Turra se envolveram em uma briga na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires. O confronto foi registrado por testemunhas.
As primeiras informações apontavam que a discussão teria começado depois que Turra jogou um chiclete mascado em um amigo de Rodrigo. O adolescente teria reagido para defendê-lo.
Durante a investigação, porém, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a apurar outras circunstâncias para esclarecer a origem do conflito. Entre os elementos investigados esteve a possibilidade de que a agressão estivesse relacionada a ciúmes e que Turra tivesse sido chamado para confrontar Rodrigo.
Durante a briga, Turra atingiu Rodrigo na cabeça. O adolescente perdeu as forças e caiu, sendo socorrido em seguida. Ele foi levado ao hospital e permaneceu internado em estado gravíssimo por 16 dias.
A morte encefálica foi confirmada em 7 de fevereiro. Desde então, a investigação e o processo judicial passaram a concentrar-se, entre outros pontos, na dinâmica da agressão e na relação entre o trauma sofrido e a morte do adolescente.
A perícia complementar mais recente agora estabelece, sob o ponto de vista médico-legal, que o trauma provocado pelo golpe foi a causa do óbito.







