Segundo relato à polícia, militar teria conquistado a confiança da mulher por meio de indicação de uma pastora e realizado operações de alto risco; caso é investigado pela Polícia Civil
Uma moradora de Águas Claras, no Distrito Federal, afirma ter perdido cerca de R$ 1 milhão após entregar o patrimônio familiar a um policial militar que teria se apresentado como especialista em investimentos. O dinheiro, segundo o relato da vítima à Polícia Civil, era destinado à segurança financeira dos dois filhos menores de idade.
O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul). O nome do militar não foi divulgado. Atualmente, além de ter perdido o patrimônio, a mulher afirma acumular saldo negativo superior a R$ 597 mil, decorrente de operações realizadas em corretoras de valores.
Segundo a vítima, o contato com o policial ocorreu por meio de uma relação estabelecida em ambiente religioso. Ela teria recebido a indicação diretamente de sua pastora, que apresentou o militar como alguém com conhecimento especializado no mercado financeiro. O PM também seria proprietário de uma empresa de investimentos em Águas Claras.
Patrimônio era mantido em aplicações de baixo risco
De acordo com o depoimento prestado à polícia, a mulher não tinha interesse em investimentos de alto risco. Durante anos, o patrimônio familiar teria sido mantido principalmente em títulos públicos federais, especialmente no Tesouro Selic, modalidade considerada de baixo risco.
A vítima afirma que, ao procurar o policial, deixou clara a preocupação em preservar os recursos. Conforme o relato, no entanto, o militar teria conquistado sua confiança a partir da indicação religiosa e também da credibilidade associada à condição de policial.
Posteriormente, segundo os documentos apresentados à investigação, ele teria passado a orientar a movimentação dos recursos, incluindo o resgate de aplicações no Tesouro Nacional, a abertura de contas em diferentes corretoras e o fornecimento de informações necessárias para acesso às plataformas de investimento.
Promessa de ganhos teria motivado operações
Conversas reunidas em ata notarial, documento utilizado para registrar formalmente conteúdos digitais, fazem parte do material apresentado pela mulher à polícia. Segundo os registros, o policial teria mencionado possibilidades de ganhos mensais superiores a R$ 20 mil.
A vítima sustenta ainda que algumas operações teriam sido realizadas sem sua autorização ou contrariando as orientações que havia dado sobre seu perfil conservador de investimento.
As negociações, conforme o relato, envolveram derivativos e opções de ações, instrumentos que podem apresentar elevado grau de risco. Em operações alavancadas, por exemplo, as perdas podem ultrapassar o valor inicialmente aplicado.
O prejuízo apontado pela mulher e as cobranças feitas pelas corretoras estão entre os elementos que serão analisados pela Polícia Civil durante a apuração.
PMDF diz não ter sido oficialmente comunicada
Procurada sobre o caso, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) informou, em nota, que “até o presente momento, não foi notificada nem tomou conhecimento oficial acerca dos fatos citados envolvendo o referido policial militar”.
A investigação deverá esclarecer como os recursos foram movimentados, quais operações foram realizadas e eventual responsabilidade do militar pelos prejuízos relatados pela vítima.







