in ,

Promessas de Ano Novo

Papo Reto

17/08/2017

| por:Stella de Domênico

Pouco antes da tradicional queima de fogos de ano novo, escrevi “2007” em uma folha de papel branca e botei fogo.  O ritual de passagem, intencional e dolorido, foi “queimar” 2007 que se acabava naqueles minutos e receber 2008 cheia de esperanças e muitas dúvidas sobre a minha própria capacidade de superação.

Quem leu até aqui já percebeu que 2007 foi um ano difícil para mim e 2008 o ano que eu desejei mudanças reais e positivas na minha vida. Mas virada de ano também é um ato simbólico. E é claro que não foi simples assim. Quem dera fosse.  Naquela noite, já em 2008, imaginei como eu estaria dali a dez anos.  Como seria minha vida em 2018, tão longe e ao mesmo tempo tão perto. E hoje estou aqui dez anos depois. E dessa vez só queimei o pavio de algumas velas que iluminaram minha mesa de ano novo.

O tempo voa. Passa tão rápido como um estalar de dedos. Muita coisa mudou como é natural que mudasse.  Em dez anos mudei de endereço seis vezes, de emprego quatro vezes e fiz transição da minha vida profissional. Ganhei muito dinheiro, perdi algum dinheiro, passei alguns perrengues, viajei para lugares que eram um sonho distante, fiz novos amigos e desfiz algumas amizades pouco interessantes, adotei três cachorros, resgatei e encaminhei para novas famílias outros tantos, vi meus filhos entrarem na faculdade, namorei menos do que eu gostaria, perdi o útero e os ovários, descobri uma nova profissão e comecei um novo negócio, dancei em alguns teatros Brasil afora, ganhei alguns muitos quilos, desenvolvi  uma doença gerada pelo stress que me ensina os limites do corpo, vi minha filha se formar dentista,  vi meu filho no palco, comecei a escrever com mais regularidade,  fiz muita terapia, cantei muito no chuveiro, falei e fiz algumas bobagens mas também falei e fiz muita coisa legal. Perdi minha mãe e ganhei uma madrasta bacana, perdi meu cunhado mais querido mas ganhei novos sobrinhos e dois deles já fizeram o favor de me transformar em tia avó, passei dos cinquenta,  vi mais de mil filmes, li uns 80 livros, virei sogra, virei empresária, virei escritora, virei conselheira de cultura, virei a página.

Hoje, dez anos depois daquele ano ovo à beira mar, me pergunto o que realmente mudou.

A capacidade de superação se resume em saber conviver com o que foi ruim e aprender com isso. A vida segue em frente, mas os sentimentos ficam dentro de nós para sempre. No fim tudo se ajeita. Tudo se acomoda. Tudo se renova ou se reinventa. O saldo foi positivo. Sempre é ao final das contas. O mundo gira. A vida dá voltas e pode recomeçar do mesmo ponto de onde parece que tudo terminou.  O amor é o que fica depois das dúvidas, das lágrimas, dos erros, da cobrança, do cansaço. O amor é o que fica depois que tudo passa. O amor é a soma de todos os afetos.

Sugestão de filme: “ Os Belos Dias”, filme francês que conta a vida de uma mulher madura que aprendeu a se reinventar e a se redescobrir.

Avatar

Escrito Por Stella Domênico

Coluna sobre a vida com textos cheios de opinião da conselheira de cultura de Águas Claras Stella de Domênico.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Engarrafamento gigante em Águas Claras

COMUNICADO CAESB

Teste!