Notícias da Cidade

13/10/2017

| por:Cecília Malheiros

Nas últimas semanas, o noticiário e as redes sociais estão agitadas com o fato de crianças terem frequentado exposições de arte de conteúdo polêmico, envolvendo temas sexuais e até nudez.

Parte das opiniões defende que a exposição seja fechada, banida e que seus idealizadores sejam apedrejados na rua. Outra parte defende o direito de os artistas se manifestarem como desejam, levando em conta, acima de tudo, a liberdade de expressão.

Sem defender nenhum dos lados, sugiro apenas algumas reflexões sobre o caso. A primeira delas é o fato de que ninguém frequenta uma exposição por obrigação, ou seja, o público naquele local é totalmente voluntário e poderia se poupar das tais cenas. Se havia crianças, os responsáveis por elas deveriam ter se informado antes sobre um eventual conteúdo impróprio e evitar que estivessem ali, se fosse o caso. Na entrada da exposição havia placas que informavam sobre nudez após adentrar a porta.

Por outro lado, o próprio curador da exposição poderia ter indicado uma faixa etária ideal para orientar os frequentadores. De mau gosto ou não, é da opinião de cada um, uma vez que a arte existe mesmo é para incomodar, para gerar debate, o que acabou conseguindo. Afinal, olhar para um órgão genital que todos possuem pode ser considerado pedofilia? Pedofilia é um distúrbio que precisa ser tratado. Nudez e erotização são coisas diferentes.

E sobre o significado de arte? O que é arte para uns, não é para outros, tornando a definição muito subjetiva. Fato é que vivemos tempos estranhos, o que muitos chamam de ‘onda conservadora’.

Já estamos na segunda década do século 21 e parece que as pessoas esqueceram a luta por liberdade vivenciada desde os anos 1960 com a revolução sexual.

Nos dias atuais, uma capa de disco como Jóia – de Caetano Veloso, em 1975, seria uma afronta à moral e aos bons costumes da família tradicional brasileira.

É claro que, em plena ditadura militar, a imagem de Caetano posando com sua família, (a esposa Dedé e o filho Moreno) todos completamente nus, precisou ser disfarçada com pombas para ser liberada pela censura, mas, alguns anos depois, foi liberada para divulgação. No entanto, para alguns, aquilo era pura arte e liberdade.

É de se pensar também que a abertura de uma novela com um homem mostrando as nádegas seria altamente condenável pelos críticos de hoje. Pois em 1987, a novela Brega e Chique exibiu diariamente a imagem em que a bunda de um homem era exposta sem qualquer censura.

E se fosse uma mulher nua causaria tanta estranheza?

Falando em novelas, não seria hipocrisia condenar a exposição no museu por receber crianças enquanto as novelas, com alto teor de sexualidade, estão dentro das casas das pessoas todos os dias na televisão e as crianças (boa parte delas) assistem com o aval dos pais?

Aos críticos de novela, o controle remoto está ao seu alcance. É só mudar de canal. Ou seja, quem deve fazer o filtro do que a criança pode ou não assistir ou presenciar, em primeiro lugar, são os pais.

Para finalizar, que tal uma pesquisa sobre as esculturas renascentistas? Em 2017, talvez, Auguste Renoir e Michelangelo não seriam considerados artistas e sim pervertidos.

Vivemos tempos mais caretas? Não há duvida que sim. Mas voltaríamos ao passado? Melhor não. Evoluir é o caminho. Sempre.

#aguasclarasmidia #aguasclaras #arte #pedofilia 

Participe do Grupo de WhatsApp Águas Claras Mídia – Envie nome, endereço e telefone para: contato@aguasclarasmidia.com.br

Sitewww.aguasclarasmidia.com.br
Facebookwww.facebook.com/aguasclarasmidia
Instagramwww.instagram.com/aguasclarasmidia
Twitterwww.twitter.com/aguasclaramidia
Youtubewww.youtube.com/aguasclarasmidia

Águas Claras Mídia – Sua Cidade em um Click

Share This
Participar