Segundo a PCDF, influenciadora fitness divulgava produtos clandestinos e o ex-marido atuava na produção e distribuição das substâncias
Um ex-casal de Águas Claras está entre os presos preventivamente na Operação Narciso, deflagrada nas primeiras horas desta quarta-feira (12) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A ação investiga uma organização suspeita de produzir e comercializar ilegalmente anabolizantes e outras substâncias proibidas.
Coordenada pela Divisão de Defesa do Consumidor da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), a operação identificou, segundo a corporação, uma estrutura criminosa com ramificações em oito estados e ligação com a produção clandestina de substâncias no Paraguai.
Entre os alvos estão a influenciadora fitness Ana Luiza, que reúne mais de 150 mil seguidores nas redes sociais, e o ex-marido dela, Alam Manoel. Conforme as investigações, os dois teriam desempenhado papéis diferentes no esquema.
Influenciadora divulgava produtos
Segundo a PCDF, Ana Luiza utilizava as redes sociais para promover produtos clandestinos, incluindo o chamado “Yellow B” e uma linha de produtos à base de testosterona. As publicações prometiam resultados rápidos para emagrecimento, com alegações de perda de até sete quilos em uma semana.
Já Alam Manoel, de acordo com a investigação, seria responsável pela logística de produção e distribuição das substâncias.
O casal também teria utilizado um restaurante japonês de propriedade dos dois, em Ceilândia, como ponto de distribuição. Além da entrega presencial, os produtos eram enviados por meio dos Correios e de serviços de motoboy.
Produto continha substâncias não informadas
A investigação aponta que o “Yellow B”, divulgado pela influenciadora havia pelo menos quatro anos, continha substâncias que não eram informadas aos consumidores.
Entre os componentes identificados pela polícia estão sibutramina, fluoxetina, bupropiona e clembuterol. De acordo com a PCDF, a sibutramina é de uso controlado, enquanto o clembuterol é destinado ao uso veterinário.
Relatos publicados por consumidores nas redes sociais mencionavam perda rápida de peso e efeito diurético associado ao produto.
Produção ocorria de forma clandestina
Segundo o delegado Rodrigo Carbone, parte da organização utilizava um método chamado de “cozimento” para fabricar substâncias injetáveis e orais de maneira artesanal. A produção ocorreria em ambientes residenciais sem condições adequadas de assepsia.
Ainda conforme a investigação, insumos procedentes da China, Índia e Paraguai eram empregados na fabricação. A PCDF afirma que materiais não estéreis também eram utilizados durante o processo.
A corporação aponta que esse tipo de fabricação pode oferecer riscos à saúde, incluindo contaminações, abscessos, embolias e infecções generalizadas.
Operação apreendeu veículos e bloqueou R$ 32 milhões
Ao todo, foram cumpridos 43 mandados de prisão e 64 de busca e apreensão. A operação também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 32 milhões em ativos financeiros.
Durante a ação, a polícia apreendeu 10 veículos de luxo e informou ter retirado do ar mais de 30 sites usados, segundo as investigações, para comercializar os produtos.
A PCDF classificou a Operação Narciso como a maior ação realizada neste ano pela corporação contra o comércio ilegal de anabolizantes e outras substâncias proibidas.
As investigações continuam para esclarecer a participação dos envolvidos e a extensão da estrutura criminosa.







