Evento no parque, convivência em família e espaços seguros colocam o cuidado com a infância em destaque na cidade
Carrinho de rolimã, brincadeiras, música e atividades educativas deram o tom da manhã de sábado, 10 de outubro, no Parque de Águas Claras. Promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Juventude, a celebração do Dia das Crianças reuniu famílias em uma proposta que ultrapassou a entrega de presentes, compartilhar tempo, fortalecer vínculos e valorizar o direito de brincar.
Gratuita e aberta à comunidade, a programação teve início às 9h, nas proximidades da Administração Central do parque. Segundo a organização, houve gincanas, atividades educativas, pipoca e picolé, em uma manhã de interação entre crianças e adultos. As famílias também foram convidadas a doar brinquedos para crianças em situação de vulnerabilidade.




À frente da Comissão, a advogada Andréa Lemos explica que a iniciativa nasceu do desejo de fortalecer a convivência familiar e comunitária e aproximar as crianças da natureza. A proposta também foi criar oportunidades para deixar as telas de lado e experimentar brincadeiras de outras gerações. “A infância floresce onde existe presença, afeto, liberdade e oportunidade para explorar. É essa infância que queremos celebrar e ajudar a construir”, afirma.
Para ela, brincar junto permite aos adultos conhecer melhor o universo infantil e demonstra à criança que suas descobertas e emoções importam. “A presença familiar fortalece vínculos, contribui para a autoestima e permite que os adultos conheçam melhor o universo das crianças.”
É dessa compreensão que vem a mensagem da campanha: “Brincar é um direito. Família presente é proteção”. Dra. Andréa destaca que família, sociedade e poder público têm responsabilidades complementares. Enquanto a gestão pública deve garantir espaços seguros, acessíveis e bem cuidados, a presença, o diálogo e a supervisão familiar precisam fazer parte do cotidiano.
Presença também educa
A importância dessa convivência encontra eco na avaliação de Carla Horst, pedagoga de Águas Claras. Para ela, o Dia das Crianças deve chamar atenção para aquilo que sustenta o desenvolvimento infantil: presença, vínculo, escuta e oportunidade de ser criança.
Carla explica que brincadeiras como amarelinha e pique-pega trabalham movimento, equilíbrio, planejamento e tomada de decisões. Nas atividades coletivas, as crianças aprendem também a esperar, negociar, respeitar regras e lidar com vitórias e derrotas. “Enquanto a criança brinca ela está exercitando habilidades importantes para a vida.”
Em relação às telas, a pedagoga defende equilíbrio e atenção às experiências que podem estar sendo substituídas, especialmente as interações com outras crianças e os momentos em família. Para quem vive em apartamento, sugere atividades simples, como transformar um lençol em cabana, montar uma amarelinha com fita ou compartilhar uma leitura, além de aproveitar os espaços coletivos da cidade.
Neste Dia das Crianças, seu convite aos adultos é reservar tempo para participar da brincadeira. “Porque a criança não vai guardar apenas aquilo que ganhou. Ela também vai construir memória a partir daquilo que viveu.”
Convivência da porta de casa para fora
Nos condomínios, as comemorações também podem aproximar famílias que compartilham o endereço, mas nem sempre encontram tempo para conviver. Em um dos residenciais de Águas Claras, o encarregado informou que a celebração teve brinquedos infláveis, pipoca e música infantil.
A participação foi gratuita para os condôminos, com possibilidade de até três convidados por unidade. A intenção, segundo ele, é reunir moradores e crianças em um momento de confraternização.

No comércio, a escolha dos presentes também revela mudanças nos hábitos das famílias. Ana Caroline, gerente de uma loja de brinquedos em Águas Claras e funcionária do estabelecimento há 20 anos, observa que, antes, as crianças costumavam entrar e escolher o que queriam. Hoje, percebe pais buscando brinquedos que despertem o interesse dos filhos por atividades fora das telas.
Blocos de montar, como Lego, e jogos de tabuleiro estão entre as opções que ela destaca para estimular a criatividade e compartilhar a brincadeira. Cartas Pokémon, casas da Barbie e carros elétricos também aparecem entre os produtos procurados, com alternativas em diferentes faixas de preço.
Embora a unidade não tenha preparado programação nem campanha promocional específica para a data, Ana Caroline relatou expectativa de vendas superiores às do ano passado, apoiada no desempenho observado ao longo deste ano.
Uma cidade que acolha todas as infâncias

Para Evelyn Matos moradora, mãe e terapeuta ocupacional infantil, as oportunidades de lazer precisam contemplar diferentes idades e necessidades, incluindo crianças com deficiência física e neurodivergentes. “Como terapeuta ocupacional infantil, acredito que a inclusão precisa envolver também a família, para que pais e responsáveis se sintam acolhidos e pertencentes”, defende.
Ela reconhece a oferta de serviços e a presença da comunidade em Águas Claras, mas espera investimentos contínuos em espaços públicos seguros, acessíveis e bem cuidados. “Uma cidade que investe na infância também investe na qualidade de vida de toda a família.”
Procurada durante a apuração, a Administração Regional informou que não promoveria evento próprio e que, até o envio das respostas, não havia recebido pedidos de autorização para comemorações em espaços públicos.
Sobre o atendimento cotidiano à infância, a gestão destacou a manutenção das áreas de lazer, incluindo 39 praças e 26 parques infantis, com inspeções e atendimento às demandas dos moradores. Informou, entretanto, não dispor de informações sobre projetos ou parcerias com escolas e serviços de saúde voltados ao desenvolvimento e à saúde mental e emocional infantil.







