Planejamento, pesquisa de preços e reaproveitamento de materiais marcam a compra de itens escolares em Águas Claras
Com o início do ano letivo, a rotina das famílias de Águas Claras passa a incluir uma preocupação recorrente: a compra do material escolar. Cadernos, livros, uniformes e itens básicos se acumulam na lista de despesas típicas do começo do ano e exigem mais do que disposição para ir às lojas. Organização, paciência e escolhas conscientes tornaram-se essenciais para evitar que o orçamento familiar saia do controle.

Na rede privada, parte das escolas retomou as aulas em 26 de janeiro, enquanto outros colégios iniciam o ano letivo em 2 de fevereiro. Já na rede pública, o calendário da Secretaria de Educação do Distrito Federal prevê o início das aulas em 10 de fevereiro, com encerramento em 18 de dezembro. A diferença de datas amplia o período de atenção das famílias aos gastos escolares, que se estendem por várias semanas.
De acordo com o economista Marcos Sarmento Melo, especialista em finanças, o início do ano letivo exige cautela redobrada das famílias. Ele avalia que a recente cotação mais baixa do dólar pode gerar um leve alívio nos preços de alguns produtos, mas ressalta que isso não garante economia automática. O economista destaca que o alerta é ainda mais relevante diante do alto nível de endividamento no país.
Atenção ao orçamento e risco de endividamento
Segundo o especialista, cerca de 80% das famílias brasileiras têm algum tipo de dívida, o que exige cuidado para que os gastos com material escolar não agravem a situação financeira. “É preciso pesquisar, levantar muita informação e atender estritamente ao que é necessário para cumprir a lista exigida pela escola, evitando compras além do essencial”, orienta.
“Pesquisar preços é importante, mas o principal é o planejamento. As famílias brasileiras estão muito endividadas e qualquer descuido pode agravar esse cenário”, afirma. Para o economista, comprar apenas os itens realmente necessários da lista escolar e evitar excessos é fundamental para reduzir gastos e prevenir novos endividamentos.

Na prática, esse cuidado aparece nas estratégias adotadas por muitos pais, como é o caso da empresária Naliana Almeida, mãe de uma estudante do 6º ano, conta que o primeiro passo foi analisar com atenção a lista enviada pela escola. “Os livros pedagógicos são tabelados e não oferecem desconto, então concentrei meus esforços no uniforme”, explica. Para economizar, ela recorreu a grupos de desapego, onde conseguiu vender materiais antigos e adquirir livros didáticos e parte do uniforme por valores mais acessíveis.
Segundo Naliana, a pesquisa de preços entre lojas credenciadas revelou diferenças significativas nos valores cobrados. Na papelaria, o gasto foi menor do que em anos anteriores, graças ao reaproveitamento de materiais ainda em bom estado. Mesmo com as estratégias de economia, os custos pesaram no orçamento.
Ao todo, ela estima ter gasto cerca de R$2.500 com material escolar e R$1.500 com uniforme, os dois itens que mais impactaram as despesas no início do ano. “Comprei as camisetas na loja com menor preço e encomendei parte do fardamento com uma costureira, que tinha um valor mais em conta”, relata.
Pesquisa de preços e planejamento antecipado
Além da comparação de preços, Sarmento ressalta que a forma de pagamento pode influenciar no valor final da compra. “Dentro do possível, vale tentar negociar com o vendedor. Em muitos casos, o pagamento à vista, via PIX, permite reduzir o preço do material”, afirma. Para ele, essa estratégia é especialmente eficaz em regiões como Águas Claras, que concentram grande número de lojas do setor.

A administradora Ana Paula Leite Sousa, mãe de quatro filhas, duas universitárias, uma na educação infantil e outra no 9º ano do ensino fundamental, também precisou se organizar com antecedência para lidar com os custos da volta às aulas. Segundo ela, a estratégia incluiu o uso de cupons de desconto compartilhados em um grupo de mães da cidade.
“Consegui utilizar cupons de desconto com a ajuda de um grupo da cidade ‘Mães Amigas’, o que fez diferença no valor final”, relata. Mesmo com as estratégias de economia, o gasto total chegou a R$2 mil, o mesmo valor desembolsado no ano passado.
Para Ana Paula, o planejamento prévio é fundamental para evitar desequilíbrios financeiros no início do ano. “A gente precisa se preparar bem antes, porque o impacto no orçamento de janeiro é grande. Planejar com antecedência ajuda a evitar danos maiores nas contas da família”, afirma.
O planejamento antecipado também foi a estratégia adotada por Eliane Cardoso, mãe de uma estudante do 6º ano. Segundo ela, a divulgação da lista de materiais ainda em outubro permite organizar as compras com mais calma e aproveitar períodos de desconto. “A lista é distribuída no final de outubro, o que nos permite aproveitar promoções como a Black Friday e participar de grupos de troca e venda de livros usados”, relata.
Eliane afirma que pesquisou preços em papelarias físicas e em plataformas online, como Amazon e Shopee. Mesmo com as estratégias de economia, o gasto total chegou a cerca de R$3.700, valor aproximadamente R$1.500 maior do que no ano anterior. Segundo ela, o aumento está relacionado à mudança do fundamental 1 para o fundamental 2, etapa que exige mais disciplinas e materiais.
Segundo ela, os livros didáticos são os itens que mais pesam no orçamento, e o impacto financeiro é significativo. “A despesa com material escolar praticamente leva todo o meu 13º salário”, afirma.

Uso consciente do cartão de crédito
Marcos Sarmento chama atenção para o parcelamento de compras, prática comum nesse período. O economista explica que quando se parcela qualquer compra, já se está se endividando automaticamente. O problema é que as pessoas acumulam várias parcelas de itens diferentes no mesmo mês, o que dificulta o planejamento financeiro e compromete a renda futura. “O cartão só deve ser usado quando o dinheiro para pagar a fatura já estiver reservado. Os juros são muito altos e deixar de pagar o valor total pode virar uma bola de neve”, alerta.
Situação semelhante é vivida pela servidora pública Shirley Araújo, mãe de duas estudantes, uma no 9º ano do ensino fundamental e outra no 1º ano do ensino médio. Há cerca de quatro anos, ela participa de grupos de troca e venda de materiais usados, prática que ajuda a reduzir despesas e incentiva o reaproveitamento. “Quase todo o 13º salário vai para material escolar. Neste ano, com a troca de escola e a compra de novos uniformes, o impacto foi ainda maior”, conta.
Para Sarmento, a volta às aulas também deve ser encarada como um momento de organização financeira de longo prazo. “Após comprar o material, a família já deveria pensar no próximo ano. Fazer uma reserva ao longo dos meses permite pagar à vista no futuro, negociar melhores preços e evitar novos endividamentos”, orienta Marcos Sarmento Melo.
📸*Imagem destacada meramente ilustrativa







