Moradores relatam risco diário na Avenida Sibiripiruna, enquanto órgãos informam ações de fiscalização e investimentos na região
A rotina de quem passa por Águas Claras, no Distrito Federal, é marcada pelo trânsito intenso, principalmente nos horários de pico. Durante o dia, a dificuldade para encontrar vaga é constante. A falta de estacionamento faz com que alguns motoristas parem em locais proibidos, como em cima de calçadas.
Na Avenida Sibiripiruna, é possível ver veículos estacionados sobre a calçada em frente a uma clínica. Em um dos casos, além de ocupar o espaço destinado aos pedestres, o carro ainda avança sobre parte da rua. Quando chove, a situação se agrava. Quem precisa caminhar pelo local é obrigado a descer para a pista, dividindo espaço com os veículos.
Já na mesma rua, mais acima, existe um local destinado para carros em cima da calçada. No entanto, é possível ver que o espaço por onde o pedestre passa termina diretamente na rua. O ponto onde seria, provavelmente, uma passagem destinada a cadeirantes está ocupado por uma lixeira, o que dificulta ainda mais o deslocamento. Pedestres que não conseguem subir a mureta encontram dificuldade, principalmente cadeirantes, que ficam sem acesso adequado e precisam passar pela rua.



A monitora escolar Elisonete de Jesus conta que enfrenta o problema todos os dias. Ela trabalha em uma escola da região e faz o trajeto a pé com frequência. “Eu acho que atrapalha, porque às vezes a calçada está totalmente ocupada. A gente tem que ir pela beirada da rua e o trânsito aqui é muito intenso o tempo todo”, relata.
Segundo ela, o risco de acidente é real. “Outro dia mesmo eu levei um susto. Eu estava subindo e vinha um carro. Como eu estava de costas, o veículo passou muito perto de mim. A calçada estava cheia de carro”, afirma. Elisonete diz que desce a rua diariamente para ir ao trabalho e à academia, e que a situação tem impacto direto na rotina dela.
A amiga dela, Claudia Ferreira, afirma que a cena se repete todos os dias no mesmo ponto da avenida. “Isso acontece todos os dias aqui. A gente já sabe que vai encontrar carro em cima da calçada. Não é de vez em quando, é direto. Quem passa a pé precisa desviar, ir para a rua e disputar espaço com os carros. É perigoso, principalmente nos horários em que o trânsito está mais cheio. Mesmo assim, a situação continua igual”, relata.
Como dá para ver, as duas foram flagradas tendo que passar pela rua por causa dos carros estacionados na calçada.
Em nota, o Departamento de Trânsito do Distrito Federal informou que realiza ações frequentes de patrulhamento e fiscalização para coibir estacionamento irregular em todo o DF, incluindo Águas Claras. O órgão também promove ações educativas voltadas aos condutores, com foco na conscientização sobre o uso adequado das vagas, especialmente as destinadas a pessoas com deficiência e idosos.
As infrações por estacionamento irregular estão previstas no artigo 181 do Código de Trânsito Brasileiro. A penalidade varia de média a gravíssima, conforme a natureza da infração.
De acordo com dados informados, em 2025 foram registradas 222.639 infrações relacionadas a estacionamento irregular. Em 2024, o número foi de 167.547 autuações. Os dados consideram registros feitos por todos os órgãos de fiscalização de trânsito do DF: Detran, DER e Polícia Militar. As informações referentes a 2026 ainda estão em fase de consolidação.
A Administração Regional de Águas Claras também se manifestou por meio de nota. O órgão informou que foram feitos investimentos na região, como a obra da Terceira Saída, com investimento de 14 milhões de reais. A intervenção conta com duas pistas, com duas faixas de rolamento cada, ciclovia, rotatória, sinalização horizontal e vertical, passagem de fauna e bolsão de estacionamento com mais de 200 vagas. A obra, segundo a administração, beneficia cerca de 150 mil motoristas que passam diariamente pela região.
Como alternativa para facilitar o deslocamento, foi implantado o Zebrinha com integração ao metrô e às demais linhas de ônibus que atendem Águas Claras. O uso de patinetes elétricos também tem sido adotado por moradores para percursos curtos.
Nos últimos seis anos, cerca de 40 mil metros quadrados de calçadas foram construídos, com investimento de 2 milhões de reais. A ampliação da infraestrutura cicloviária segue em andamento, com foco na ligação entre estações de metrô, áreas residenciais e comerciais. Outros projetos estão em estudo, como a construção de bolsões de estacionamento no Parque Central.
O Detran-DF informou ainda que mantém atuação constante na região administrativa, com ações educativas e de fiscalização para coibir estacionamentos em locais indevidos.







