Modalidade adaptada do vôlei reúne moradores acima dos 50 anos para prática esportiva, convivência social e combate ao sedentarismo e à solidão
Entre saques, risadas e reencontros, um grupo de moradores de Águas Claras tem encontrado no esporte uma nova forma de viver a maturidade com mais disposição, saúde e pertencimento. Há cerca de três anos, praticantes do Câmbio, modalidade adaptada do vôlei voltada especialmente ao público 50+, se reúnem no Parque Ecológico de Águas Claras para praticar atividade física e fortalecer laços de amizade.
A iniciativa começou de forma simples, a partir de um convite feito por Natanael Leal, um dos incentivadores da modalidade em Brasília. Segundo a servidora pública e moradora de Águas Claras, Mônica Esmeraldo de Lucena, a proposta rapidamente ganhou força entre os frequentadores do parque.
“Eu gostei da proposta e lá fomos, nós dois, panfletar no parque, convidando as pessoas.
Eu passei a falar e convidar em todos os lugares e com todas as pessoas, conhecidas e desconhecidas”, relembra.
O crescimento foi gradual e constante. Hoje, o grupo conta com mais de 40 atletas e segue atraindo novos participantes interessados não apenas na prática esportiva, mas também no acolhimento promovido pela iniciativa.
Derivado do vôlei tradicional, o Câmbio utiliza bola, rede e quadra semelhantes, mas com regras adaptadas. Cada equipe possui nove jogadores, sendo permitido no máximo três homens por time. A modalidade pode ser praticada tanto na quadra quanto na areia.
O diferencial está na dinâmica de troca de posições a cada saque, característica que dá nome ao esporte.
“O esporte é ideal para pessoas 50+ porque não tem impacto, e isso nos favorece. O atleta se sente seguro e participa com confiança”, destaca Mônica.

Além da atividade física, o grupo também atua como rede de apoio emocional e social para muitos participantes. Segundo a coordenadora, o Câmbio ajuda a enfrentar problemas comuns após a aposentadoria, como o isolamento e o sedentarismo.
“O esporte promove mobilidade, equilíbrio, melhora o aparelho cardiorrespiratório, socialização, memória, concentração, integração e condicionamento físico”, afirma.
“Temos vários depoimentos de pessoas que estavam sem objetivo, no sofá vendo TV, sem vida social, e o Câmbio preencheu essa lacuna reverberando alegria na vida.”
Ao longo dos anos, o convívio extrapolou as quadras. O grupo promove encontros sociais, viagens, comemorações de aniversário, jogos de tabuleiro e até acolhimento de atletas de outros estados que visitam Brasília.
Recentemente, integrantes participaram da criação da Confederação Brasileira de Câmbio, durante evento realizado na capital federal com representantes de 11 estados.
Para Mônica, o sucesso do grupo está justamente no senso de pertencimento construído entre os participantes.
“Aprendemos a nos perdoar e relevar atritos, procuramos conciliar qualquer intriga.
Em momentos difíceis e de perdas, nos apoiamos. Tentamos extrair o que há de melhor no outro e agregamos a todos, sem excluir ninguém”, relata.
As atividades acontecem às terças e quintas-feiras, na quadra coberta, e aos sábados, na areia, sempre das 7h30 às 9h30, no Parque Ecológico de Águas Claras. Não há cobrança de inscrição nem exigência de experiência prévia.
“Para participar, basta ousadia e vontade, querer ser mais feliz. Basta chegar lá, ensinamos a dinâmica e jogamos. Eu digo: venha conhecer e se apaixonar pelo Câmbio”, convida.


Assim como em grandes centros urbanos Águas Claras por vezes é marcada pela rotina acelerada e pelo isolamento nos apartamentos, e o grupo encontrou no esporte uma maneira de aproximar pessoas e promover bem-estar coletivo.
“Quando nos encontramos no parque, temos contato com a natureza, respiramos ar fresco, surgem novas ideias e projetos, sorrimos e criamos objetivos.
O saldo de tudo isso é que, quando estamos bem, adoecemos menos e somos mais empáticos com o outro”, conclui Mônica.








