Da timidez ao trabalho nas ruas, o deputado fala sobre os aprendizados de oito anos na política, as causas que abraçou e o que ainda pretende construir no Distrito Federal
Quando entrou na política, há oito anos, Eduardo Pedrosa não tinha certeza se aquele era realmente o seu lugar. Gostava de política, mas não sabia se conseguiria se encaixar naquele universo. A oportunidade apareceu quase por acaso, quando o partido precisava preencher vagas de candidatura. Ele aceitou o desafio. O que começou como uma experiência acabou virando uma escolha de vida.
Durante o dia, mantinha seu trabalho normal. À noite, pegava a estrada para cidades-satélites, visitava famílias, conversava com moradores e conhecia de perto histórias que dificilmente chegariam até ele apenas pelos gabinetes. Foi nesse contato direto com as pessoas que veio a paixão pela política e, depois, a eleição para o primeiro mandato.
O Eduardo que entrou na política continua, segundo ele próprio, com a mesma vontade de fazer as coisas e a mesma disposição para ouvir as pessoas. O que mudou foi a experiência. Depois de oito anos, ele diz ter aprendido melhor como a política funciona e, principalmente, como encontrar caminhos para transformar demandas da comunidade em resultados.
“Eu melhorei muito uma coisa que eu sempre tive na minha vida, mas consegui aperfeiçoar: a capacidade de diálogo e de construção”, conta.
Fora da política, porém, o perfil é bem menos expansivo. Eduardo se define como uma pessoa tímida e reservada, que gosta de estar com a família, conhecer lugares novos, ler e acompanhar esportes. Também valoriza a atividade física, que, segundo ele, ajuda a manter a cabeça em ordem. E existe uma diferença importante entre o político que passa boa parte do tempo na rua e o homem que prefere estar em casa: Eduardo gosta dos dois mundos.
Para ele, cuidar da família é justamente o que dá equilíbrio para cuidar dos outros.
Esse valor ganhou ainda mais significado depois do casamento com Larissa, há cerca de um ano. Também reservada, ela passou a acompanhá-lo em reuniões e momentos da rotina política. Eduardo fala dela com carinho e não esconde que considera o casamento uma das melhores decisões de sua vida.

A exposição permanente das redes sociais, as críticas e até as mentiras que podem surgir no ambiente político fazem parte da rotina. A estratégia, segundo ele, é conversar em casa, cuidar um do outro e manter a consciência tranquila.
“Quando você tem uma coisa ruim que acontece, você conversa e acalma o coração”, resume.
Talvez seja justamente essa mistura entre o homem reservado e o político que gosta de estar perto das pessoas que ajude a explicar algumas das causas que mais o mobilizam. Entre elas está o enfrentamento ao câncer.
Eduardo afirma que quer ver Brasília ter um hospital do câncer e participar da construção desse projeto. Mais do que uma bandeira política, ele trata o tema como uma causa pessoal, ligada ao desejo de deixar um legado que possa mudar a vida de muitas famílias.
E foi ouvindo essas famílias que algumas histórias ficaram marcadas.
Em uma roda de conversa em Samambaia, ele perguntou às mães o que elas tinham feito por elas mesmas nos últimos tempos. Uma delas começou a chorar. Quando Eduardo perguntou o motivo, veio a resposta: ela não fazia as unhas havia quatro anos.
Não era sobre fazer as unhas. Era sobre uma mãe que, diante da rotina de cuidados e das dificuldades, havia deixado de pensar nela mesma. A história, segundo Eduardo, mostrou de forma muito concreta como determinadas situações podem consumir completamente a vida de uma família.
É esse tipo de experiência que, para ele, dá ainda mais energia para continuar trabalhando por causas ligadas à saúde e à qualidade de vida.
E quando o assunto é política, Eduardo não esconde o que considera inegociável: resultado.
Ele conta que, quando começou, via situações em que políticos faziam gestos e discursos bonitos diante de uma determinada pauta, mas depois pouco era feito para resolver o problema. Hoje, diz preferir o caminho mais prático: entender o que realmente pode mudar a vida das pessoas e trabalhar para que aconteça.
Também não poupa críticas à política feita para as redes sociais.
Na visão dele, existe uma diferença grande entre aparecer e trabalhar. Gravar vídeo, viralizar ou “lacrar” pode render curtidas, mas não necessariamente resolve uma demanda. E existe algo que ele diz que jamais faria: assumir publicamente o crédito por uma obra ou conquista que não foi sua.
“Eu tenho vergonha na cara”, afirma, ao explicar por que não faria esse tipo de coisa.
Depois de oito anos, talvez o maior aprendizado tenha sido justamente perceber que a política, quando bem feita, consegue encontrar caminhos para resolver problemas que pareciam difíceis ou até impossíveis.
O desafio agora, segundo Eduardo, é fazer com que as pessoas acompanhem esse trabalho ao longo dos quatro anos — e não apenas em períodos eleitorais. Ele acredita que a população precisa participar mais, ajudar a construir e entender que pode ter “um pedacinho” de cada conquista de sua comunidade.
Para o futuro, a sensação é de que ainda há muito que eu posso fazer. Eduardo fala em projetos que começaram a ser construídos e precisam chegar ao resultado final, além de novas demandas que surgem diariamente no Distrito Federal. Entre as prioridades está acompanhar de perto projetos na área da saúde e obras e ações que já estão em andamento.
A experiência, diz ele, trouxe algo que não se aprende de um dia para o outro: saber onde procurar os caminhos para fazer as coisas acontecerem.
E é justamente essa experiência que Eduardo Pedrosa pretende colocar à disposição dos próximos desafios.
Porque, para ele, ainda tem muita semente plantada. E agora é hora de cuidar para que elas deem frutos.







