Fiscalização apreendeu produtos à base de tirzepatida, documentos e equipamentos eletrônicos; investigação apura possíveis crimes contra a saúde pública e irregularidades sanitárias.
Clínica de estética localizada em Águas Claras está entre os estabelecimentos fiscalizados pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Efeito Rebote, que investiga a suposta comercialização e aplicação irregular de medicamentos utilizados para emagrecimento. A ação foi realizada em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Vigilância Sanitária do Distrito Federal.
Além da unidade em Águas Claras, outras duas clínicas, situadas na Asa Norte e na Asa Sul, também foram alvo da operação. Até o momento, as autoridades não divulgaram os nomes dos estabelecimentos envolvidos.
Durante as diligências, os agentes apreenderam medicamentos à base de tirzepatida — princípio ativo do Mounjaro —, além de documentos e equipamentos eletrônicos que poderão auxiliar nas investigações.

Irregularidades identificadas
Segundo a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, parte dos produtos recolhidos apresentava indícios de irregularidades, como ausência de registro sanitário, falhas na rotulagem e falta de documentação que comprovasse a origem e a rastreabilidade dos medicamentos.
As equipes também identificaram inconsistências relacionadas às prescrições médicas, ausência de notas fiscais e dificuldades para vincular determinados medicamentos aos pacientes que teriam recebido a aplicação.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer se os produtos eram comercializados e utilizados em desacordo com a legislação sanitária brasileira.
Os fatos apurados poderão configurar crimes como falsificação ou adulteração de medicamentos, contrabando e outras infrações previstas na legislação.
O que é a tirzepatida?
A tirzepatida é o princípio ativo do medicamento Mounjaro, autorizado para comercialização no Brasil após avaliação da Anvisa quanto à qualidade, segurança e eficácia.
O medicamento é indicado para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a outras doenças, devendo ser utilizado exclusivamente sob prescrição e acompanhamento médico.
As autoridades alertam, no entanto, para o uso de produtos conhecidos popularmente como “canetas do Paraguai”, que não possuem registro na Anvisa. Nesses casos, não há garantias sobre a procedência, composição, armazenamento ou controle de qualidade dos medicamentos.
A importação de medicamentos sem registro sanitário somente é permitida em situações específicas, mediante prescrição médica e autorização prévia da Anvisa.
A Operação Efeito Rebote prossegue com a análise do material apreendido para apurar a extensão das irregularidades e eventual responsabilização dos envolvidos.







