Ex-síndica é investigada por movimentações financeiras suspeitas que teriam causado prejuízo estimado em R$ 200 mil ao residencial em Águas Claras
A Justiça do Distrito Federal determinou a devolução de R$ 40,9 mil ao Residencial Monte Carlo, em Águas Claras, como parte do ressarcimento relacionado às investigações sobre supostos desvios financeiros ocorridos durante a gestão da ex-síndica do condomínio.
A decisão foi proferida nesta segunda-feira (18). O valor de R$ 40.905,53, já depositado judicialmente, será transferido para a conta do condomínio como reparação parcial dos prejuízos apontados no processo.
O caso ganhou repercussão há cerca de um ano, após moradores denunciarem irregularidades na administração financeira do residencial. Segundo os condôminos, a então síndica Daniele Silva Nóbrega teria realizado transferências bancárias para familiares, emitido recibos sem nota fiscal e utilizado cheques com assinaturas divergentes, além de outros gastos considerados incompatíveis com as despesas do condomínio.
Os moradores estimam que o prejuízo total possa chegar a R$ 200 mil, além de aproximadamente R$ 150 mil em impostos não pagos. Também foram relatados problemas relacionados ao fundo de reserva, ausência de seguro predial e falhas em equipamentos de combate a incêndio.
As suspeitas surgiram após uma assembleia extraordinária em que foi proposta a cobrança de uma taxa extra de R$ 40 mil para obras emergenciais na fachada do prédio. O pedido levantou questionamentos entre os moradores, que passaram a exigir a prestação de contas da gestão referente ao ano de 2024.
De acordo com relatos dos condôminos, houve demora na apresentação da documentação financeira. Após análise dos documentos disponibilizados, moradores identificaram transferências via Pix para parentes da investigada, pagamentos a supostos prestadores de serviço sem comprovação de atuação no condomínio e recibos com assinaturas diferentes vinculadas ao mesmo CPF.
A análise das movimentações financeiras contou com o apoio de uma moradora com experiência em controle contábil, que auxiliou na organização e conferência dos dados apresentados.
Além de Daniele Silva Nóbrega, outras duas pessoas também são investigadas no caso: Renato Nóbrega e José Maria Costa.
A ex-síndica foi presa preventivamente em abril de 2025, em Cocalzinho de Goiás, durante operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados à investigada, com recolhimento de celulares e computadores. Posteriormente, ela foi colocada em liberdade e responde ao processo judicial.
Em nota, a defesa de Daniele afirmou que a investigada demonstrou arrependimento e interesse em colaborar com as autoridades desde o início das apurações. Segundo os advogados, o pagamento dos R$ 40,9 mil foi realizado espontaneamente ainda durante a fase inicial do processo criminal.
A defesa também informou que a ex-síndica reconheceu valores que precisariam ser recompostos ao condomínio, no montante de R$ 210,3 mil, e solicitou autorização judicial para venda de um imóvel de sua propriedade, com o objetivo de viabilizar a restituição integral dos prejuízos apontados nas investigações.
O caso segue em tramitação na Justiça do Distrito Federal.







